A MPB e a Censura na Ditadura

QUISERAM CALAR A MÚSICA

QUISERAM CALAR A MÚSICA

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Aniversário do AI 5

Em 17 de outubro de 1969 - A Emenda Constitucional Número 1 é outorgada na Junta Militar. Ela incorporava os itens do AI-5 e permitia que o presidente fechasse o Congresso e cassasse mandatos.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011


A ditadura oficialmente acabou.
Para apaziguar ânimos existem várias políticas assistenciais pelo país.
A gente crê que isso seja um dos fatores que fazem com que o Brasil seja tão pacífico a ponto de aceitar tudo o que lhe é imposto.

OS DIREITOS CHEGAM e SE FIRMAM EM LEI MÁXIMA


CONSTITUIÇÃO FEDERAL BRASILEIRA (OUTUBRO 1998)

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;

II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;

III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;

IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;

VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;

VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva;

VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;

IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;

XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;

XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; (Vide Lei nº 9.296, de 1996)

XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer;

XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional;

XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens;

XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;

XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar;

XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento;

XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado;

XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado;

XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente;

[...]

Assim o povo brasileiro é conhecido como calmo.

A ditadura oficialmente acabou.
Para apaziguar ânimos existem várias políticas assistenciais pelo país.
A gente crê que isso seja um dos fatores que fazem com que o Brasil seja tão pacífico a ponto de aceitar tudo o que lhe é imposto.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Política: Gilberto Gil como ministro da Cultura

Política
Em 1989, mesmo gravando, fazendo espetáculos e se envolvendo em causas sociais, elegeu-se vereador em Salvador , sua cidade natal, pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) com exatos 11.111 votos. Em 21 de Março de 1990 filia-se ao Partido verde (PV), como membro da Comissão Nacional Executiva. Em janeiro de 2003 quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomou posse, nomeou-o para o cargo de ministro da Cultura.Permaneceu no cargo de ministro por cinco anos e meio. Deixou o ministério em 30 de Julho de 2008 para voltar a dedicar-se com maior exclusividade à sua vida artística. Em 28 de agosto participou da solenidade de posse oficial de seu sucessor no ministério, Juca Ferreira.

A política adotada na gestão de Gilberto Gil no ministério da Cultura baseia-se na Declaração Universal Sobre a Diversidade Cultural, da Unesco Este documento consagra a diversidade cultural como patrimônio da humanidade. Traduzir esse conceito no Brasil significa a obrigação do Estado em afirmar as culturas que estão submersas e que se expressam apenas como “folclore” ou arte exótica. Cadê a cultura das centenas de comunidades quilombolas. Onde estão a dança, os mitos, as línguas dos mais de duzentos povos indígenas. Cadê a cultura caipira. E a cultura hip hop, presente nas periferias urbanas e todas as outras manifestações que surgem nos guetos e quebradas? Esse é o chamado quando se fala em diversidade cultural. É a Cultura, como dimensão do processo civilizatório, não apenas como manifestação artística ou produto de exibição.
Ele deixou as bases para a continuidade da política adotada com um plano estratégico de governo, denominado um tanto inadequadamente de PAC da Cultura, e a formulação das diretrizes para o Plano Nacional de Cultura, que sustentará uma política de Estado de longo prazo.
Gil pode dormir o sono dos justos. Adotou uma visão de Cultura como “produto das subjetividades em movimento”, como gosta de dizer. Ele fez em pouco mais de cinco anos muito mais do que foi realizado nos 18 anos anteriores de existência do MinC.

Gilberto gil líder do tropicalismo

Alguns artistas usavam a própria música para protestar contra a censura. Algumas destas músicas ganharam um caráter histórico dentro do movimento da MPB.Por outro lado, algumas canções eram censuradas apenas por não condizer com os valores morais da época.
Gilberto Gil, líder do tropicalismo, também estava entre aqueles que teve cerceadas suas carreiras no Brasil, em seu período mais repressivo. Através de músicas de protesto e do próprio tropicalismo, lançou a semente da conscientização e agitou a opinião pública, sendo então enquadrado na lei de segurança nacional e expulso do país. Seguiu para Londres, onde, segundo alguns fãs, viveu uma de suas melhores fases, no setor artístico. Compondo em inglês, conquistou facilmente o público europeu; livre da influência da repressão, pode deixar fluir em suas composições toda liberdade de expressão a que tinha direito. Somente retornou ao solo pátrio, em 1972. Apresentando-se no programa Som Livre Exportação, declarou publicamente que continuariam trabalhando em prol da música popular brasileira.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Alegria,alegria

Referências da época.
Relação entre o livro
Feliz Ano Velho de
Marcelo Rubens Paiva,
com a situaçao da
década de 60


Caetano Veloso




07/08/1942, Santo Amaro da Purificação (BA)

Uma das figuras mais importantes da música popular brasileira contemporânea, Caetano Veloso começou a cantar e tocar violão em Salvador, aonde foi estudar ao lado da irmã Maria Bethânia. Nos anos 60, conheceu Gilberto Gil, Gal Costa e Tom Zé, e juntos começaram a fazer shows.

Em 1965, Maria Bethânia foi chamada para substituir Nara Leão no espetáculo "Opinião", no Rio de Janeiro, e levou Caetano para acompanhá-la. No mesmo ano, ele foi convidado a gravar o seu primeiro compacto, com "Cavaleiro" e "Samba em Paz". Em 1967, gravou o primeiro LP, "Domingo", com Gal Costa.

O disco "Tropicália", ao lado de Gil, Gal, Tom Zé, Torquato Neto, Rogério Duprat, Capinam, e Nara Leão, marcou o início do movimento tropicalista. Em 1968, no 3o Festival Internacional da Canção, chegou a ser vaiado pelo público e teve a música "É Proibido Proibir" desclassificada.

Em 1969, depois de ser preso pela ditadura militar, Caetano partiu para o exílio na Inglaterra, onde lançou discos e compôs canções como "London, London" e "Como Dois e Dois". Retornou ao Brasil em 1972 e fez shows em várias cidades. Nos anos seguintes, começou a atuar também como produtor. Sua volta ao Brasil gerou polêmica: à esquerda o acusava de ter se alienado da política. Caetano, por sua vez, dava respostas irônicas ou debochadas.

Em 1976, Caetano, Gal, Gil e Bethânia novamente se uniram e formam o grupo Doces Bárbaros, que gravou um LP e saiu em turnê. Depois, Caetano lançou um compacto simples com as músicas carnavalescas "Piaba" e "A filha da Chiquita Bacana".

Nos anos 1980, Caetano Veloso continuou gravando e produzindo discos, como "Outras Palavras", "Cores, Nomes", "Uns" e "Velô". Em 1986, comandou, ao lado de Chico Buarque, o programa de televisão "Chico & Caetano", onde cantavam e recebiam convidados.

Nos anos 1990, voltou a fazer sucesso com o disco "Circuladô", cuja faixa-título era baseada num poema de Haroldo de Campos. Logo em seguida, "Tropicália 2" refez a parceria entre Caetano e Gil.

Em 1997, saiu o primeiro livro de Caetano, "Verdade Tropical", um relato pessoal sobre sua visão de mundo. Seu disco "Livro", de 1998, ganhou o prêmio Grammy em 2000, na categoria World Music.

Talentoso e multimídia Caetano também fez trilhas inesquecíveis para o cinema, como "Tieta". Em 2003, uma música gravada para o filme "Frida" da diretora Julie Taymor, o levou aos palcos do Oscar.

Em 2004, no CD "A Foreign Sound" fez releituras de canções em inglês, com clássicos de Paul Anka, Elvis Presley, Cole Porter, entre outros, com destaque para "Come as You Are",do Nirvana, além de "Feelings" de Morris Albert, uma das canções mais gravadas de todos os tempos.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Chico Buarque e Crítica à Ditadura





Ameaçado pelo Regime Militar no Brasil, esteve exilado na Itália em 1969, onde chegou a fazer espetáculos com Toquinho. Nessa época criou suas canções "Apesar de você" (que dizem ser uma alusão negativa ao presidente Emílio Garrastazu Médici, mas que Chico sustenta ser em referência à situação) e Cálice, censuradas pela censura brasileira. Adotou o pseudônimo de Julinho da Adelaide, com o qual compôs apenas três canções: "Milagre Brasileiro", "Acorda amor" e "Jorge Maravilha". 


Na Itália Chico tornou-se amigo do cantor Lúcio Dalla, de quem fez a belíssima "Minha História", versão em português (1970) da canção Gesú Bambino (título verdadeiro 4 marzo 1943), de Lucio Dalla e Paola Palotino.

Ao voltar ao Brasil, continuou com composições que denunciavam aspectos sociais, econômicos e culturais, como a célebre "Construção" ou a divertida "Partido Alto". Apresentou-se com Caetano Veloso (que também foi exilado, mas na Inglaterra) e Maria Bethânia. Teve outra de suas músicas associada a críticas a um presidente do Brasil. Julinho da Adelaide, aliás, não era só um pseudônimo, mas sim a forma que o compositor encontrou para driblar a censura, então implacável ao perceber seu nome nos créditos de uma música. Para completar a farsa e dar-lhe ares de veracidade, Julinho da Adelaide chegou a ter cédula de identidade e até mesmo a conceder entrevista a um jornal da época.

Uma das canções de Chico Buarque que criticam a ditadura é uma carta em forma de música, uma carta musicada que ele fez em homenagem ao Augusto Boal, onde  vivia , na época em que o Brasil ainda vivia sob a ditadura militar.

A canção se chama "Meu Caro Amigo" e foi dirigida a Boal, que na época estava exilado em Lisboa. A canção foi lançada originalmente num disco de título quase igual, chamado Meus Caros Amigos, do ano de 1976

Meu caro amigo 
Chico Buarque
Meu caro amigo me perdoe, por favor 
Se eu não lhe faço uma visita 
Mas como agora apareceu um portador 
Mando notícias nessa fita

Aqui na terra tão jogando futebol 
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll 
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita mutreta pra levar a situação 
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça 
E a gente vai tomando e também sem a cachaça 
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu não pretendo provocar 
Nem atiçar suas saudades 
Mas acontece que não posso me furtar 
A lhe contar as novidades

Aqui na terra tão jogando futebol 
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll 
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

É pirueta pra cavar o ganha-pão 
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro 
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro 
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu quis até telefonar 
Mas a tarifa não tem graça 
Eu ando aflito pra fazer você ficar 
A par de tudo que se passa

Aqui na terra tão jogando futebol 
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll 
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita careta pra engolir a transação 
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho 
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho 
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever 
Mas o correio andou arisco 
Se me permitem, vou tentar lhe remeter 
Notícias frescas nesse disco

Aqui na terra tão jogando futebol 
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll 
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

A Marieta manda um beijo para os seus 
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças 
O Francis aproveita pra também mandar lembranças 
A todo o pessoal 
Adeus

Composição: Chico Buarque / Francis Hime

Essa foi uma das canções que Chico Buarque fez na ditadura. Ela é uma carta em forma de música e foi composta para o seu amigo Augusto Boal, um dos maiores dramaturgos brasileiros, quando esse estava exilado em Lisboa, Portugal. Nela, Chico retrata a situação em que se encontrava o Brasil, sob a pressão da ditadura militar. A canção foi originalmente num disc o de título quase igual, chamado Meus Caros Amigos, do ano de 1976
O poema mostra algumas características do que o povo brasileiro costumava fazer durante a época da Ditadura Militar, em especial o autor (achei interessante, pois o poema é um tipo de 'carta' pra alguém que está fora do país).
A música retrata o sentimento que as pessoas tinham em relação ao governo da época, muito censura e intolerância reinavam no momento da ditadura. Ninguém se manifestava do modo que Chico se manifestou, ninguém tinha audácia de se pôr contra o governo.
Creio que o Chico, como tantos que a gente conhece desta geração, mais do que envelhecerem, se desiludiram.
Nossa geração viu praticamente todas as democracias políticas de países latinos viveram regimes de direita e de esquerda. E os resultados de tantas variantes foram similares: sendo oposição, o sucessor tenta denegrir o passado e fazer tudo ao contrário. Basta trocar o governo e a história se repete, ao revés, como diz o tango.
A gente não perdeu o bonde da história, não. Ela é que se repete.
Filho de Sérgio Buarque de Holanda, um importante historiador e jornalista brasileiro e de Maria Amélia Cesário Alvim. 

Em 1946, passou a morar em São Paulo, onde o pai assumira a direção do Museu do Ipiranga. Sempre revelou interesses pela música - interesse que foi bastante reforçado pela convivência com intelectuais como 
Vinicius de Moraes e Paulo Vanzolini. 

Em 1953, Sérgio Buarque de Holanda foi convidado para lecionar na Universidade de Roma, consequentemente, a família muda-se para a Itália. Chico torna-se trilingüe, na escola fala inglês, e nas ruas, italiano. Nessa época, suas primeiras "marchinhas de carnaval" são compostas, e, com as irmãs mais novas, Piiizinha, Cristina e Ana, encenadas. 



De volta ao Brasil, produz suas primeiras crônicas no jornal Verbâmidas, do Colégio Santa Cruz, nome criado por ele. Sua primeira aparição na imprensa não foi cultural, mas policial, publicada, inclusive, no jornal Última Hora, de São Paulo. Com um amigo, furtou um carro para passear pela madrugada paulista, algo relativamente comum na época. Foi preso. "Pivetes furtaram um carro: presos" foi a manchete no dia seguinte com uma a foto de dois menores com tarjas pretas nos olhos. Chico não pôde mais sair sozinho à noite até que completasse 18 anos.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

MPB e a Ditadura em vídeo.

http://www.youtube.com/watch?v=bw4i55MSvsQ

ARTISTAS CENSURADOS.

Vários foram os artitas que sofreram perseguições durante esse período, dentre eles, podemos citar:

Chico Buarque, alvo predileto dos ditadores e da censura , ficou exilado na Itália de 1.969 a 1.970, sendo perseguido novamente quando do seu retorno ao país.
 
Também  Elis Regina, Geraldo Vandré, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Raul Seixas, Milton Nascimento, algumas canções do Kid Abelha, Toquinho, Odair José, entre  tantos outros.

Os reflexos da CENSURA na MPB (Música Popular Brasileira)

http://youtu.be/wV4vAtPn5-Q - OUÇA!!!

A MPB sofreu violentas retaliações, onde eram vetadas obras segundo entendimento dos censores, que não obedeciam nenhum critério, vetando letras por motivos políticos, de proteção à moral vigente ou simplesmente porque não entendiam o que o autor queria dizer com o conteúdo.

            Como forma de denúncia aos abusos aos direitos individuais e à liberdade de expressão, muitos artistas utilizaram-se da música para comporem obras e letras de duplo sentido, para alertar os mais atentos e despistar a atenção dos militares, que só percebiam do que se tratava tal canção quando já estourava em sucesso e era de aprovação geral entre o público ouvinte.

Uma das canções que marcaram a época foi a música CÁLICE composta por Chico Buarque e Gilberto Gil, cuja palavra título de confundia com Cale-se e seus versos confundidos com uma divagação religiosa, vide uma transcrição de um trecho:


Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta

O sentido utilizado nesta letra é fantástico, pois através de palavras HOMÓFONAS (Cálice / Cale-se), fica nas entrelinhas a vontade louca de gritar, já que na época era necessário calar-se a fim de sofrer duras consequências, como a tortura que era o mais comum.

O QUE FOI A CENSURA.

CENSURA = Censura é o uso pelo estado ou grupo de poder, no sentido de controlar e impedir a liberdade de expressão. A censura criminaliza certas ações de comunicação, ou até a tentativa de exercer essa comunicação. No sentido moderno, a censura consiste em qualquer tentativa de suprimir informação, opiniões e até formas de expressão, como certas facetas da arte.
                     
            A CENSURA no Brasil ocorreu desde sua COLONIZAÇÃO, quer no âmbito cultural ou político.

            Durante o período colonial Portugal e, consequentemente suas colônicas, possuía uma lista de materiais que não deveriam circular em seus territórios, especialmente com teores iluministas e que criticassem a Igreja Católica, havendo a Inquisição que investigava e punia atos que fugissem dos pensamentos católicos. Assim, a censura ocorria dentro das tribos indígenas com os padres jesuítas proibindo os índios de manifestarem suas culturas, rituais e crenças. Também os escravos encontravam muitos problemas quando queriam manifestar suas cultuas originais, vindo a surgirem os quilombos para ser um ponto permitido para suas manifestações.

            A CENSURA no Brasil também ocorreu durante o período monárquico e início do Século XX, reprimindo movimentos que defendiam a abolição da escravidão, também contras os movimentos que queriam a reunificação as coroas brasileiras e portuguesas, e ainda aquelas rebeliões que queriam determinada região como independente.

            DITADURA MILITAR (1964-1985) = foi um período na política brasileira em que o país foi governado por militares, cinco no total, iniciando-se com o golpe de Estado em 31 de março de 1.964, depondo o presidente civil João Goulart e instituindo como governante do Brasil Ranieri Mazzini, logo depois sendo empossado o Marechal Castelo Branco. Este regime justificou-se como uma reprimenda à ameaça comunista, segundo se pregava que o inimigo deveria ser reprimido a todo custo e de qualquer forma.
                                                                                
            No país período pré-ditadura militar já havia partido de esquerda, ou seja, “cabeças pensantes”  que se opunham ao governo, com movimentos estudantis, associação dos trabalhadores do campo, também militares de esquerda dentro do quadro militar brasileiro, e daí, logo após o Golpe, foram fechadas sedes de partidos políticos, sindicatos, associações e movimentos que davam apoio ao governo de então, criando-se mais força à censura, que foi uma das maiores armas de reprimenda deste período.
           
A CENSURA durante o regime militar iniciado em 1.964, diante de todas as formas de perseguição já existentes são intensificadas e outras foram implantadas, especialmente após a promulgação do AI-5 (Ato Institucional número 5) que foi um decreto que transcendeu a última Constituição vigente na época (a de 1.946), fortalecendo a chamada LINHA DURA do regime militar. O AI-5 concedeu poderes absolutos ao governo central fechando o Congresso Nacional.

            Entre vários itens que compunham o corpo do AI-5, haviam as medidas proibitivas de atividades ou manifestação sobre assuntos de natureza política e também mantinha a liberdade individual vigiada, e agora aqui podemos falar sobre a MÚSICA POPULAR BRASILEIRA e as sanções que sofreu tanto no âmbito de suas letras e de seus intérpretes, vez que durante a vigência do AI-5 a CENSURA PRÉVIA se estendia à imprensa, à música, ao teatro e ao cinema.